O rapper Macklemore revelou nesta segunda-feira que sua amizade de 13 anos com Ed Sheeran passou por um momento de tensão insuperável. O motivo foi o posicionamento público do cantor de “Thrift Shop” em defesa da Palestina, que culminou em sua exclusão da turnê “The Loop”.
Em uma publicação no Instagram, Benjamin Haggerty — nome real de Macklemore — descreveu a conversa com Sheeran como um “desacordo doloroso”. Segundo o artista, ele não tinha a intenção de atacar o caráter do colega, mas sentia que precisava expor os bastidores do cancelamento. “Nossa amizade não pode alterar minha responsabilidade de dizer a verdade”, pontuou.
A situação teria ganhado contornos críticos na semana passada. Macklemore relata que Sheeran foi contatado por Robert Kraft, bilionário proprietário do New England Patriots. O empresário teria avisado que o rapper não seria autorizado a se apresentar no Gillette Stadium, em Massachusetts. De acordo com o relato, Kraft teria articulado um boicote com outros donos de estádios: ou Macklemore era retirado do show, ou a turnê inteira seria impedida de passar por suas arenas.
“Ed também me contou que Kraft convenceu outros proprietários. O ultimato era direto: se o Macklemore continuar na turnê, vocês não tocam em nenhum dos nossos locais”, afirmou o rapper.
Macklemore alega que Sheeran, pressionado por uma postura historicamente apolítica, argumentou que o uso da bandeira palestina e os gritos de “Free Palestine” soavam ofensivos para muitas das pessoas com quem ele precisava negociar. O rapper, por sua vez, foi taxativo: “Disse a ele que, se essas palavras fossem mais ofensivas do que a morte de dezenas de milhares de crianças palestinas, havia uma desconexão fundamental entre nós”.
A versão do Gillette Stadium
Em resposta às acusações, Robert Kraft enviou um comunicado oficial ao Page Six. O empresário negou que a decisão vise diminuir o sofrimento dos palestinos, mas afirmou que o Gillette Stadium possui um compromisso contra o que define como discurso de ódio.
“Com base nas ações recentes de Macklemore, incluindo material compartilhado durante shows em Nova Jersey e um histórico de retórica antissemita, determinamos que sua participação cruzaria uma linha”, declarou Kraft. Ele ainda ressaltou que defende a causa palestina, mas acredita que essa defesa não deve ignorar as ações do Hamas.
O desfecho da turnê
A Messina Touring Group, produtora responsável pela perna americana da turnê de Sheeran, confirmou que a decisão foi tomada após consultas com os donos dos estádios. O temor era o cancelamento total da agenda, prejudicando milhares de fãs.
Macklemore encerrou sua nota mantendo a porta aberta para o diálogo, embora reconheça o peso do ocorrido. “Espero que ambos continuemos estudando o que acontece na Palestina e refletindo sobre o que significa neutralidade em momentos como este”, escreveu.
A lista de locais que teriam se recusado a receber o rapper inclui nomes de peso, como:
- Raymond James Stadium (Tampa, Flórida)
- Lincoln Financial Field (Filadélfia)
- Mercedes-Benz Stadium (Atlanta)
- Lucas Oil Stadium (Indianápolis)
- Bank of America Stadium (Charlotte, Carolina do Norte)
- AT&T Stadium (Arlington, Texas)
- Gillette Stadium (Foxborough, Massachusetts)
O artista estava escalado para participar de oito dos 10 shows restantes da turnê nos Estados Unidos.
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