logo live news
FBI investiga AFA por suspeita de lavagem de dinheiro e fraude bancária durante a Copa do Mundo de 2026
News

FBI investiga AFA por suspeita de lavagem de dinheiro e fraude bancária durante a Copa do Mundo de 2026

08/07/2026 · 22:00 4 min de leitura

O FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriram uma investigação contra a Associação do Futebol Argentino (AFA) por suspeita de fraude bancária e lavagem de dinheiro em território americano. A ofensiva ocorre em meio à disputa da Copa do Mundo de 2026, torneio em que a seleção argentina segue viva na briga pelo bicampeonato.

Investigadores apuram como a entidade comandada por Claudio “Chiqui” Tapia movimentou centenas de milhões de dólares no sistema financeiro dos EUA. O foco principal é a TourProdEnter LLC, empresa com sede na Flórida, pertencente ao produtor teatral Javier Faroni, encarregada de administrar a cobrança dos contratos internacionais firmados pela AFA com patrocinadores e outros parceiros comerciais. Os agentes buscam rastrear o fluxo dos recursos gerenciados por Faroni e sua esposa, Erica Gillette, dentro do sistema financeiro americano.

Documentos financeiros e registros bancários indicam que a gestora operou pelo menos 260 milhões de dólares vinculados à AFA, movimentados por meio de contas em bancos como Citibank, Bank of America, JP Morgan, Synovus e PNC Bank. Desse montante, cerca de 57 milhões de dólares teriam sido distribuídos para contas de outras sociedades e beneficiários sem qualquer justificativa econômica ou prestação de serviços comprovada. Entre os contratos analisados pelos investigadores estão um acordo de US$ 60 milhões com a Adidas e outro de US$ 40 milhões com a Warner.

Segundo apurou o jornal argentino La Nación, há suspeitas de que algumas dessas empresas beneficiadas sejam de fachada — sem prestação real de serviços e controladas por pessoas que, na Argentina, constam como beneficiárias de programas de assistência social. Os investigadores também identificaram pagamentos a duas empresas ligadas ao tesoureiro da AFA, Pablo Toviggino, além de transferências para sua companheira, parente de Manuel Valdés, apontado como “guia espiritual” da seleção argentina.

Agentes federais baseados em Washington e Miami já começaram a colher depoimentos de testemunhas e empresários ligados às negociações. O caso é conduzido pelos procuradores federais Patrick Gushue e Christopher Ting, em Washington, além de Michael Berger, do Distrito Sul da Flórida — Gushue integra a Unidade de Integridade Bancária do Departamento de Justiça, especializada em crimes financeiros, e Berger já atuou na condenação do ex-controlador-geral do Equador, Carlos Ramón Polit Faggioni, por lavagem de dinheiro em Miami. Entre os ouvidos está o empresário Guillermo Tofoni, CEO da World Eleven, parceira comercial da AFA com licença da Fifa para organizar amistosos internacionais da seleção.

O objetivo dos investigadores é rastrear o fluxo do dinheiro e confirmar se as transações configuram crimes financeiros sob a jurisdição norte-americana. A apuração teria começado em setembro de 2024, após um alerta enviado às autoridades dos EUA pelo então Ministério da Segurança da Argentina, comandado por Patricia Bullrich — na época, o FBI concluiu não haver elementos suficientes para abrir um inquérito criminal, mas o caso ganhou força ao longo de 2025.

Defesa e reação da AFA

Representantes da AFA nos Estados Unidos pediram cautela diante da investigação. Tomás Regalado, apresentado como representante da entidade na América do Norte, afirmou que as diligências das autoridades não significam, por si só, culpa ou responsabilidade criminal. Até o momento, nem o Departamento de Justiça nem o FBI apresentaram denúncias formais contra dirigentes da AFA, e a entidade e Tapia não se manifestaram oficialmente sobre o caso.

Crise se aprofunda

A ofensiva dos Estados Unidos aprofunda a crise no futebol argentino, que já é alvo de operações por sonegação, apropriação indébita e uso de laranjas na Justiça de Buenos Aires — o próprio Tapia responde a outro processo na Argentina, por suposta retenção indevida de contribuições previdenciárias e impostos, e obteve autorização judicial para viajar à Copa do Mundo mediante pagamento de fiança. O escândalo acendeu um alerta máximo na Fifa e ameaça o futuro da atual gestão da federação, justamente no momento em que a seleção argentina disputa as quartas de final do Mundial.

O que você achou?


📬 Receba as principais notícias

Cadastre seu e-mail e fique por dentro de tudo