Michigan, Estados Unidos – O cenário político de Michigan entrou em ebulição no último fim de semana. A congressista Haley Stevens, figura de peso entre os democratas moderados, rompeu com a legenda ao declarar apoio público ao republicano Mike Rogers na reta final da disputa ao Senado.
O anúncio, feito por meio de um vídeo gravado logo após a deputada participar de um culto religioso ao lado de Rogers, foi recebido como uma traição de grandes proporções pela cúpula democrata. Em sua defesa, Stevens alegou ter sido hostilizada pelo candidato de seu partido, Abdul El-Sayed, e criticou duramente a proximidade do democrata com o influenciador radical Hasan Piker.
A fúria do establishment
A reação não tardou. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, classificou a atitude como uma “traição desprezível”. Em termos similares, o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que a congressista deixou seu partido em uma posição de isolamento e que medidas disciplinares serão discutidas internamente após o retorno das atividades legislativas.
“Congresswoman Stevens não é mais membro do Partido Democrata de Michigan, nem será no futuro”, sentenciou Curtis Hertel, presidente estadual da sigla.
A repercussão também atingiu o corpo técnico da parlamentar. Segundo relatos, houve uma debandada imediata de funcionários do gabinete de Stevens assim que o vídeo foi publicado nas redes sociais.
Tensões ideológicas e o “fator Piker”
O centro do embate entre Stevens e El-Sayed remonta à derrota da congressista nas primárias de 4 de agosto. Nos últimos meses, o clima azedou de vez. Stevens exigiu que o candidato democrata renunciasse a um anúncio eleitoral que ela considerou antissemita — produzido pelo Rebellion PAC, fundado por Cenk Uygur, tio de Hasan Piker. Ao ser ignorada, a deputada abandonou o palanque.
A presença de Piker, conhecido por declarações controversas sobre o 11 de setembro e apologias ao maoísmo, tornou-se um pesadelo constante para a campanha democrata. Questionado sobre a polêmica, El-Sayed tentou desviar o foco:
- “Eu entendo o jogo de vocês, que querem cliques. Mas o meu foco é no que realmente importa para as famílias de Michigan”, afirmou o candidato aos jornalistas, evitando confrontar diretamente o influenciador.
Reações inflamadas
Outras vozes influentes na esquerda americana também despejaram críticas ferozes. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, acusou Stevens de trair os trabalhadores que ela deveria defender. Já o deputado Mark Pocan não poupou ataques, rotulando a colega como alguém “perturbado” que, incapaz de aceitar a derrota nas urnas, jogou uma carreira política pela janela em busca de atenção.
Pelas redes sociais, o tom foi igualmente ácido. Jon Lovett, coapresentador do Pod Save America, chamou a deputada de “sórdida”. Enquanto isso, o Comitê Nacional Democrata (DNC) e o comitê responsável pelas campanhas ao Senado (DSCC) emitiram comunicados oficiais classificando o apoio a Rogers como um esforço para dividir o partido em um momento crítico, prometendo redobrar esforços para eleger El-Sayed nesta terça-feira.
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