Sylvester Stallone foi pego de surpresa ao descobrir, em janeiro de 2025, que o presidente Donald Trump o havia nomeado como um dos “embaixadores especiais” de Hollywood. Dias antes da segunda posse presidencial, Trump usou a rede Truth Social para anunciar que o astro de Rocky, ao lado de Mel Gibson e Jon Voight, serviria como seus “olhos e ouvidos” na indústria cinematográfica, com a missão de atrair produções de volta aos Estados Unidos.
Em entrevista recente ao The Sunday Times, o ator de 80 anos relatou o momento em que soube da decisão. “Eu estava assistindo à televisão à noite e ouvi: ‘Então Stallone, Mel Gibson e Jon Voight serão…’. Eu respondi: ‘O quê? Com licença? Sério?’. Se tivessem me perguntado antes, eu teria dito que aquilo não era possível”, confessou.
O protagonista de Tulsa King explicou que sua resistência veio da compreensão de como a indústria funciona por dentro:
“Hollywood é como estados feudais. Eles possuem seus pequenos reinos. Você não chega em seis estúdios e dita como eles devem operar. Eu, Mel Gibson e Jon Voight somos pessoas que seguem seus próprios caminhos. Não, não funcionaria.”
Stallone foi direto ao comunicar sua posição a Trump: “Eu disse obrigado e tchau, porque é impossível. Hollywood tem seu funcionamento e vai evoluir por conta própria. É uma estrutura corporativa, e esses executivos não querem me ouvir falar sobre finanças”.
Reações distintas entre os nomeados
Mel Gibson também admitiu, logo após o anúncio oficial de janeiro, que não tinha conhecimento prévio da decisão presidencial. “Recebi a notícia pelo post ao mesmo tempo que todos vocês e fiquei tão surpreso quanto qualquer um”, disse à Variety na época, ainda que tenha se colocado à disposição como cidadão. Em tom bem-humorado, o ator de 70 anos questionou se o posto viria com uma residência oficial de embaixador.
Apesar de não abraçar o papel, a relação entre Stallone e Trump permanece cordial. O ator chegou a introduzir o presidente no gala do America First Policy Institute, em Mar-a-Lago, descrevendo-o como uma figura mítica. “Ele não existe neste planeta. Ninguém no mundo conseguiria realizar o que ele realizou”, afirmou na ocasião, comparando-o ao papel histórico de George Washington.
Já Jon Voight, apoiador declarado de Trump, assumiu a incumbência. Ele tem se reunido com representantes da Casa Branca e trabalhado com seu empresário, Steven Paul, para articular incentivos fiscais federais para a indústria cinematográfica.
Em agosto, o governo Trump sinalizou apoio a uma legislação bipartidária para incentivar produções domésticas, após classificar o estado atual de Hollywood como um “desastre total”. Embora Stallone tenha se mantido afastado da função executiva, Paul mencionou que o ator está ciente do projeto e chegou a assinar uma carta de apoio ao movimento de Voight, apesar de sua agenda lotada com gravações televisivas.
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