Canadá, Canadá – O baixista Jason Newsted guarda poucas memórias de apresentações interrompidas durante seu longo período no Metallica. Entre os raros incidentes que o músico recorda, um se destaca por ter colocado a integridade física da banda em risco imediato em uma região remota do território canadense.
Naquele período, o grupo de thrash metal ainda consolidava a base de fãs que hoje preenche estádios ao redor do mundo. A logística da época, contudo, era bem mais precária. Para otimizar o espaço em arenas de hóquei que não estavam lotadas, os promotores frequentemente instalavam cortinas de borracha para reduzir a área do evento.
Essa configuração acabou criando uma armadilha perigosa. Com o público posicionado muito próximo ao palco e parte da plateia acomodada nas arquibancadas laterais, a banda ficou exposta a ângulos que jamais enfrentariam em grandes palcos projetados. Foi exatamente dessa posição privilegiada, vindo de cima, que surgiram os projéteis.
Newsted descreveu a cena como algo surreal enquanto tocavam. O caos começou quando um dardo surgiu do nada, cruzando o ar em direção ao palco. A comunicação silenciosa entre o baixista e o vocalista James Hetfield foi imediata; um olhar de espanto bastou para que entendessem o perigo.
A tensão atingiu o ápice quando um segundo dardo acertou o palco, cravando-se a poucos centímetros dos tênis de Hetfield. Diante da ameaça clara à segurança, a banda não teve alternativa a não ser suspender o show ali mesmo. O incidente permanece como um capítulo inusitado da trajetória do quarteto, que aprendeu da forma mais hostil possível os riscos da proximidade excessiva com plateias imprevisíveis.
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