O cantor britânico George Michael, que faleceu em 25 de dezembro de 2016, construiu uma trajetória musical global que frequentemente dividiu espaço com manchetes sobre sua vida privada. No entanto, por trás das câmeras e da exposição pública, o artista mantinha uma rotina silenciosa de filantropia que só começou a ser revelada em profundidade anos após sua morte.
O novo livro “Tonight the Music Seems So Loud”, escrito por Sathnam Sanghera, explora essa faceta pouco conhecida do músico, que completaria 63 anos no último dia 25 de junho. O autor destaca que, embora o espólio do cantor tenha sido avaliado em cerca de 97 milhões de libras, a gestão do patrimônio continua a honrar doações anuais, mantendo vivo um ciclo de benevolência que Michael estabeleceu ainda na década de 1980.
A estratégia do cantor era a discrição absoluta. Ele evitava créditos, chegando a se irritar quando notícias sobre suas contribuições vazavam, como ocorreu em 1999, após uma doação de meio milhão de libras para refugiados do Kosovo. Em abrigos de sem-teto em Londres, Michael aparecia vestindo boné e jeans, servindo refeições e conversando com frequentadores. Quando questionado se seria o famoso cantor, ele apenas ria e desconversava.
Sua generosidade não se limitava a cheques. Michael custeou procedimentos de fertilização in vitro, pagou funerais de desconhecidos e garantiu o tratamento médico de amigos e ex-funcionários. Durante suas turnês, ele instruía sua equipe a identificar instituições de caridade locais em cada cidade visitada, realizando doações que variavam entre 20 mil e 30 mil libras.
Instituições como a Childline, o Terrence Higgins Trust e o Mercury Phoenix Trust receberam valores significativos de sucessos como “Jesus to a Child” e “Don’t Let the Sun Go Down on Me”. O cantor desprezava a autoexposição de celebridades em causas beneficentes, preferindo ver a caridade como um ato contínuo e pessoal.
Como escreveu Sanghera, a definição de compaixão para o artista estava longe de ser um “casaco usado apenas duas vezes por ano”. Michael tratava o auxílio ao próximo como uma obrigação cotidiana, longe dos holofotes que marcaram sua carreira nos palcos.
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