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Cidade do Rock esvaziada: crise econômica e medo da violência derrubam público do Rock in Rio à pior marca da história
Música

Cidade do Rock esvaziada: crise econômica e medo da violência derrubam público do Rock in Rio à pior marca da história

05/09/2026 · 14:45 3 min de leitura

Os imensos gramados da Cidade do Rock, historicamente tomados por uma multidão vibrante, transformaram-se no cenário de um cenário inédito e preocupante. A atual edição do Rock in Rio registra o pior público de todos os tempos desde a sua fundação, em 1985. O esvaziamento dos palcos e as clareiras visíveis até mesmo nas apresentações dos artistas principais acenderam um alerta vermelho para a organização do festival e servem como um termômetro alarmante da severa crise socioeconômica e dos índices de violência que assolam o país.

Pela primeira vez em décadas, os ingressos para os dias mais disputados não esgotaram em minutos. Pelo contrário, bilheterias virtuais e pontos de venda físicos amargam encalhes históricos. Especialistas em economia da cultura apontam que o valor dos ingressos, somado aos custos de transporte, alimentação e hospedagem, tornou-se proibitivo para a esmagadora maioria da população, cuja renda média real sofreu fortes retrações nos últimos meses devido à inflação persistente.

Além do fator financeiro, a segurança pública emergiu como o principal elemento de dissuasão para o público de fora do estado e até mesmo para os próprios cariocas. Uma onda recente de assaltos em série, arrastões nos transportes públicos que levam ao evento e confrontos nas vias de acesso à Zona Oeste criaram um clima de forte insegurança. Relatos de turistas que cancelaram pacotes de viagem por medo da violência urbana inundaram as redes sociais nas semanas que antecederam o festival.

“O Rock in Rio sempre foi um reflexo do momento do país”, explica o sociólogo e analista cultural Roberto Cavalcanti. “Em anos de otimismo econômico, tínhamos um festival efervescente. O que vemos hoje é o reflexo de um Brasil empobrecido, onde o lazer virou artigo de luxo extremo e onde o cidadão tem medo de sair de casa para um evento desse porte. A falta de público não é uma rejeição ao line-up, é um sintoma social.”

Em pronunciamento oficial, a organização do festival evitou falar em prejuízo financeiro recorde, limitando-se a declarar que o setor de entretenimento vive um período de transição global e que sempre priorizou a experiência e o conforto dos presentes. Nos bastidores, contudo, o clima é de forte tensão entre os patrocinadores, que investiram milhões de reais em ativações de marca para arenas que permanecem operando com uma fração da capacidade esperada.

Com os portões ainda abertos para os dias restantes, o festival tenta desesperadamente mitigar o fiasco por meio de promoções de última hora e distribuição de cortesias, mas o diagnóstico geral parece irreversível. O Rock in Rio deste ano entra para a história não pelos shows memoráveis, mas como o retrato definitivo de um país acuado pela crise e pelo medo.

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