As conversas para que Meghan Markle integrasse o elenco de The Gentlemen chegaram ao fim, acompanhadas por um clima de mal-estar nos bastidores. Amigos próximos à duquesa de Sussex alegam que o nome dela foi utilizado apenas para gerar publicidade em torno da produção da Netflix. O contratempo ocorre em um momento delicado: analistas do universo real apontam que o fim da rede de proteção de Meghan na gigante do streaming pode descarrilar seus planos de voltar a atuar antes mesmo que eles se concretizem.
O divisor de águas foi a demissão de Bela Bajaria, executiva que ocupou cargos de liderança na empresa por quase uma década e era vista como a principal defensora do casal lá dentro. A saída de Bajaria ocorreu em meio a um corte de cerca de mil funcionários na plataforma, conforme noticiado pela revista Variety.
Fim da blindagem interna
Para a apresentadora britânica Helena Chard, a perda desse apoio muda tudo.
“O antigo colchão de segurança acabou. Infelizmente para Meghan, que talvez quisesse migrar direto para um papel de destaque na atuação, há muito mais obstáculos no caminho agora”
, afirmou em entrevista à Fox News Digital.
Essa mudança no cenário fica evidente na postura da própria equipe de Meghan, que passou a expor críticas públicas à empresa. Kinsey Schofield, apresentadora do podcast Kinsey Schofield Unfiltered, enxerga aí o sinal definitivo de ruptura.
“Você não costuma criticar publicamente uma empresa quando depende dela para financiar seu próximo grande projeto. Para mim, esta é a indicação mais clara de que a parceria comercial deles com a Netflix efetivamente terminou”
, observou.
A polêmica com ‘The Gentlemen’
A duquesa teria sido cotada para um papel na terceira temporada da série dramática comandada por Guy Ritchie, após sua mudança de volta ao Reino Unido com o príncipe Harry. No entanto, fontes ouvidas pelo jornal The Telegraph acusam a Netflix de vazar deliberadamente as negociações para impulsionar a audiência da atração.
Uma pessoa do entorno de Meghan definiu o episódio como “o truque de marketing mais antigo do livro”: apresentar um roteiro a um nome famoso e espalhar que há conversas em andamento.
“No fim, a Netflix conseguiu o que queria: altos números de visualização para a segunda temporada e enorme repercussão”
, declarou a fonte, acrescentando que a situação deixou um sabor amargo na equipe dos Sussex.
Do outro lado, fontes ligadas ao serviço de streaming rebatem a versão. Um interlocutor afirmou ao The Times que a produção não precisa de “escalações caça-clique” para se sustentar. Um consultor que trabalhou com Bajaria confirmou, contudo, que a executiva defendia ferrenhamente o casal, mantendo o apoio mesmo quando a resposta do público ficava aquém do esperado. Sem ela, impera a incerteza sobre quem defenderá os projetos de Harry e Meghan na casa.
Idas e vindas no catálogo
As especulações em torno do elenco de The Gentlemen ganharam força em agosto, quando a renovação para a terceira temporada foi confirmada. Veículos como Deadline e The Hollywood Reporter apontavam que as tratativas estavam no início e que a personagem ainda estava sendo escrita. Segundo a especialista Hilary Fordwich, a falta de um desmentido formal por parte da equipe de Meghan ou da Netflix acabou alimentando o burburinho, beneficiando a divulgação do show.
O recuo na atuação não é o único sobressalto na relação com a marca. Em março de 2026, Meghan e a Netflix encerraram a parceria vinculada à As Ever, marca de estilo de vida lançada pela duquesa em 2025 — cerca de um mês após o lançamento da série With Love, Meghan. O programa durou duas temporadas e um especial de fim de ano, mas teve seu cancelamento definitivo confirmado no início de 2026.
O contrato milionário firmado em 2020, estimado em US$ 100 milhões, rendeu produções como:
- Harry & Meghan (2022)
- Live to Lead (2022)
- Heart of Invictus (2023)
- Polo (2024)
Embora um novo acordo de preferência tenha sido firmado em agosto de 2025 entre a plataforma e a Archewell Productions, projetos animados foram engavetados. Além disso, adaptações cinematográficas planejadas para as obras No Way Out, Meet Me at the Lake e The Wedding Date continuam sem desfecho anunciado. Um eventual documentário sobre a princesa Diana para 2027, ano em que a morte da mãe de Harry completa 30 anos, também não foi confirmado oficialmente.
Entre a paixão pela arte e a estratégia de imagem
Antes de se casar com o príncipe Harry em 2018, Meghan viveu a personagem Rachel Zane na série Suits por sete temporadas. Em 2022, declarou à revista Variety que havia encerrado sua fase como atriz, resgatando a fala do noivado em 2017 de que considerava aquela etapa cumprida. Recentemente, ela gravou uma pequena participação no filme Close Personal Friends, estrelado por Lily Collins e Jack Quaid, e fontes da revista People garantem que ela enxerga um retorno aos sets com entusiasmo.
O radialista britânico Ian Pelham Turner defende o potencial da duquesa:
“O papel que a consagrou em ‘Suits’ prova que ela é uma atriz de qualidade. Se ela quiser voltar a atuar, o que creio que ainda seja uma paixão, agregará grande valor a qualquer produção.”
Por outro lado, críticos como Kinsey Schofield veem com ceticismo a movimentação recente.
“Os laços reais de Meghan podem abrir portas, mas não garantem uma carreira de sucesso. Em algum momento, o trabalho precisa falar por si só”
, pontua a comentarista, sugerindo que a narrativa sobre o retorno às telas surgiu logo após o regresso do casal à Grã-Bretanha como uma forma de reorientar a estratégia de relações públicas.
“O problema é que as ambições de imagem dos Sussex continuam correndo mais rápido do que suas realizações profissionais.”
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