Mark Kermode sempre alimentou crenças profundas em Deus, no diabo e na sétima arte. Contudo, a ideia de milagres nunca lhe pareceu algo palpável — até que ele viveu um na pele, tal qual um santo, conforme descreve.
Muito antes de se tornar um dos críticos de cinema mais respeitados do Reino Unido, aos 63 anos, Kermode era apenas um jovem britânico fascinado pelo rockabilly e por filmes de horror. Numa sexta-feira do início dos anos 80, o magnetismo das telas o levou ao Phoenix Theater, no bairro de East Finchley, em Londres, para uma sessão dupla de madrugada ao lado de um companheiro de banda.
A segunda atração da noite era O Exorcista, longa que, desde a década anterior, já ocupava o posto de um dos sucessos mais viscerais e impactantes da história do gênero. A trama de possessão demoníaca dirigida por William Friedkin causou tanto pavor no colega de Kermode que o rapaz acabou dormindo no chão da casa do crítico — ele simplesmente não teve coragem de dirigir para casa após a exibição.
“Foi uma noite memorável”, recorda Kermode, com os olhos arregalados por trás dos óculos de aro preto enquanto revive a cena.
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