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O dilema do Príncipe Edward: memórias revelam desejo por “duas esposas”
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O dilema do Príncipe Edward: memórias revelam desejo por “duas esposas”

11/10/2026 · 11:00 4 min de leitura

Muito antes de oficializar a união com aquela que hoje é considerada a “arma secreta” da monarquia britânica, o Príncipe Edward confessou a uma ex-namorada um desejo inusitado: o de ter duas esposas. A revelação consta no livro de memórias The Showgirl and the Prince, escrito pela atriz Ruthie Henshall, com quem o caçula da falecida Rainha Elizabeth II manteve um relacionamento entre 1988 e 1993.

Henshall recorda uma conversa franca com o príncipe, na qual ele tentava explicar os pesos e as limitações de sua posição. “Ruth, eu não poderia te submeter a esse trabalho”, teria dito Edward. “Se eu pudesse, teria duas esposas. Uma para o cargo e outra a quem eu amasse, pois você nunca iria querer expor a mulher que ama a esse papel.”

O encontro nos bastidores

O casal se conheceu em 1988, quando Henshall brilhava no musical Cats e Edward trabalhava como assistente de produção na empresa de Andrew Lloyd Webber. A atriz não perdeu tempo ao notar a presença do príncipe no teatro, abordando-o logo de cara com um convite informal para integrar o “grupo”. O flerte evoluiu rapidamente para um romance real.

Com o amadurecimento do namoro, no entanto, as pressões da vida na corte começaram a pesar. A comentarista real Amanda Matta aponta que esse tipo de conflito não era novidade entre os homens da realeza. “Historicamente, os casamentos reais sempre foram arranjos políticos e estratégicos. Por isso, a presença de amantes era comum. Ainda assim, eles são seres humanos que buscam companhia e intimidade”, analisa.

O peso da coroa

O produtor Ian Pelham Turner, que acompanhou a trajetória de ambos, acredita que Edward se sentia atraído pela autenticidade de Henshall, já que ela pertencia ao mundo das artes, uma paixão compartilhada pelo príncipe. Mas a adaptação ao protocolo foi um desafio. “Ela ficava nervosa ao encontrar a família real, especialmente a Rainha”, comenta Turner. Em um dos episódios, Henshall esqueceu-se de fazer a reverência tradicional.

Nas páginas do livro, a atriz admite que, inicialmente, nutriu a esperança de que o amor seria capaz de superar a rigidez da instituição. “Eu sabia como ser uma ‘boa garota’, mas também tinha consciência de que a possibilidade de eu sair para uma noite agitada e acabar causando um escândalo era real”, confessa. Ela chegou a buscar conselhos com Sarah Ferguson, então casada com o Príncipe Andrew, sobre a possibilidade de um futuro matrimônio — ao que Ferguson, sabendo da complexidade do ambiente, respondeu com incerteza.

A ruptura tornou-se inevitável quando Henshall percebeu que a carreira, sua maior paixão, seria o sacrifício exigido pela vida real. “Nós queríamos estar juntos, tentamos desesperadamente, mas era impossível conciliar quem ele era com o que eu queria profissionalmente”, escreveu.

Sophie como o equilíbrio

O destino, contudo, seguiu um curso diferente. Em 1999, Edward casou-se com Sophie. Ao contrário de Henshall, Sophie deixou sua carreira em relações públicas para se dedicar integralmente aos deveres reais. O casal optou por não usar os títulos de príncipe e princesa para os filhos, Lady Louise e James, permitindo que eles decidissem sobre o uso das nomenclaturas ao atingirem a maioridade.

Hoje, Sophie é vista por especialistas como um ativo valioso para o Rei Charles III e uma peça central da monarquia, equilibrando dever e personalidade. Para Matta, a ironia é evidente: “No fim das contas, Sophie acabou sendo tudo o que ele um dia pensou que precisaria buscar em pessoas diferentes”.

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