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Morre Patrick Stewart, o eterno Professor Xavier de “X-Men”, aos 86 anos, após enfrentar Alzheimer e demência
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Morre Patrick Stewart, o eterno Professor Xavier de “X-Men”, aos 86 anos, após enfrentar Alzheimer e demência

29/10/2026 · 21:32 6 min de leitura

Ator também marcou gerações como o capitão Jean-Luc Picard em “Star Trek”. Neurocientista Dr. Fabiano de Abreu explica as doenças que afetaram o artista e destaca as diferenças entre as duas condições.

O mundo do entretenimento perdeu um dos rostos mais conhecidos do cinema e da televisão. Patrick Stewart, ator britânico que conquistou fãs ao interpretar o Professor Charles Xavier na franquia “X-Men” e o capitão Jean-Luc Picard em “Star Trek: A Nova Geração”, morreu aos 86 anos, na quarta-feira (28). A notícia foi anunciada nesta quinta-feira (29), por meio de um comunicado da família, que revelou que o artista enfrentava a doença de Alzheimer e a demência com corpos de Lewy.

A partida do ator também desperta uma reflexão sobre o contraste entre a ficção e a realidade. Nos cinemas, Stewart interpretou um dos personagens mais inteligentes e poderosos do universo dos super-heróis, conhecido por suas extraordinárias capacidades mentais. Fora das telas, enfrentou doenças que comprometem justamente o funcionamento do cérebro.

Para o neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, que acompanhou a saga “X-Men”, a perda também carrega um significado particular. Integrante da Triple Nine Society, sociedade internacional que reúne pessoas com níveis excepcionalmente elevados de inteligência, ele reconhece uma curiosa associação simbólica entre o universo dos mutantes e as comunidades de indivíduos com capacidades cognitivas incomuns. Essa interpretação, que faz parte de uma espécie de lenda informal sobre a franquia, não representa uma ligação oficial entre a obra e a sociedade, mas acrescenta uma dimensão pessoal à despedida de quem deu vida ao Professor Xavier.

Mas o que são as doenças que afetaram Patrick Stewart?

Embora sejam frequentemente confundidos, o Alzheimer e a demência com corpos de Lewy possuem características diferentes. Ambas provocam alterações progressivas no cérebro, comprometendo funções cognitivas e a autonomia do paciente, mas apresentam mecanismos biológicos e manifestações clínicas distintas.

“O Alzheimer e a demência de corpos de Lewy são condições distintas, apesar de compartilharem características relacionadas ao declínio cognitivo. As duas são progressivas e ainda não têm cura, mas o diagnóstico correto é fundamental para orientar o tratamento, controlar sintomas quando possível e oferecer suporte adequado ao paciente e à família”, explica o Dr. Fabiano de Abreu Agrela, pós-PhD em neurociências e diretor científico do CPAH (Centro de Pesquisa e Análises Heráclito).

Alzheimer: quando as lembranças começam a desaparecer

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta principalmente a memória nas fases iniciais mais características. A condição está relacionada a alterações cerebrais que envolvem o acúmulo anormal das proteínas beta-amiloide e tau, responsáveis por processos que prejudicam a comunicação entre os neurônios e contribuem para sua degeneração.

Entre os primeiros sinais estão esquecimentos frequentes, dificuldade para recordar conversas recentes, repetição de perguntas e problemas para realizar atividades habituais. Com a evolução da doença, outras capacidades, como linguagem, orientação, raciocínio e planejamento, também podem ser comprometidas.

“O Alzheimer costuma começar com alterações na memória recente, mas não se limita a esse aspecto. À medida que a doença avança, outras funções cognitivas podem ser comprometidas, afetando a autonomia e a capacidade de realizar atividades habituais”.

Segundo o neurocientista, a doença não compromete todas as regiões cerebrais simultaneamente.

“O Alzheimer não afeta todas as áreas do cérebro ao mesmo tempo, ele geralmente começa em regiões relacionadas à memória, como o hipocampo e o córtex entorrinal, fundamentais para formar e recuperar lembranças. Com a progressão, pode atingir áreas responsáveis pela linguagem, orientação espacial, raciocínio, atenção e tomada de decisões”.

“Em fases avançadas, várias regiões cerebrais podem ser comprometidas, prejudicando movimentos e funções básicas. Portanto, a distribuição e a intensidade das alterações variam conforme o estágio e as características individuais da doença”, afirma o Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

Demência com corpos de Lewy: quando a percepção da realidade também muda

Já a demência com corpos de Lewy apresenta características que vão além dos problemas de memória. A doença está associada ao acúmulo anormal de uma proteína chamada alfa-sinucleína, que interfere no funcionamento de circuitos cerebrais responsáveis pela atenção, percepção, comportamento, sono e movimentos.

Uma das características mais marcantes é a oscilação do estado cognitivo. A pessoa pode estar aparentemente lúcida em determinado momento e apresentar confusão mental ou sonolência intensa algumas horas depois.

Também podem ocorrer alucinações visuais, rigidez muscular, lentidão dos movimentos e alterações durante o sono, incluindo comportamentos em que o paciente movimenta o corpo enquanto sonha.

“As flutuações cognitivas podem fazer com que a pessoa pareça estar lúcida e atenta em determinado momento e, horas depois, apresente confusão ou sonolência acentuada. As alucinações visuais também podem envolver imagens detalhadas de pessoas, animais ou objetos que não estão presentes”.

“Na demência de corpos de Lewy, chama a atenção a combinação de alterações cognitivas com manifestações perceptivas e motoras. A atenção pode variar bastante, e alguns pacientes apresentam alucinações visuais e sinais semelhantes aos observados na doença de Parkinson. Reconhecer esse conjunto de características ajuda a direcionar a investigação clínica”, explica o Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

O legado de Patrick Stewart

Com uma carreira construída ao longo de mais de seis décadas, Patrick Stewart tornou-se uma referência para diferentes gerações de espectadores. Sua interpretação do Professor Xavier, personagem que utiliza a inteligência, a empatia e o conhecimento para orientar outros mutantes, permanece entre as mais reconhecidas do cinema de super-heróis.

A notícia de sua morte também chama a atenção para doenças que atingem milhões de pessoas e suas famílias. Embora Alzheimer e demência com corpos de Lewy ainda não tenham cura, compreender suas diferenças permite identificar sintomas, orientar cuidados e buscar intervenções adequadas.

Stewart deixa uma trajetória marcada pelo teatro, pela televisão e pelo cinema, além de personagens que permanecerão na memória de seus admiradores.

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