Clarksdale, Estados Unidos – Morgan Freeman carrega uma trajetória marcada por papéis icônicos, desde a interpretação de Nelson Mandela até a voz de Deus. No entanto, há mais de duas décadas, o ator dedica parte de sua vida a uma causa bem mais terrena: a preservação do blues. Em 2001, ele ajudou a fundar o Ground Zero Blues Club em Clarksdale, Mississippi — região onde passou parte de sua infância — ao notar que os fãs que visitavam o histórico encruzilhada de Robert Johnson não tinham um espaço adequado para ouvir o gênero musical.
Essa iniciativa acaba de ganhar um novo capítulo com o lançamento do álbum Morgan Freeman’s Symphonic Blues Experience. O disco propõe uma mistura inusitada, unindo arranjos orquestrais refinados, executados pela Chineke! Orchestra de Londres, a novas interpretações de hinos do blues. Entre as faixas, nomes de peso dão o tom: Taj Mahal revisita “Death Letter Blues”, de Son House, enquanto Keb’ Mo’ traz uma energia renovada para “Cadillac Assembly Line”, de Albert King. Shemekia Copeland também marca presença, resgatando “Traveling Riverside Blues”, de Johnson, com um aceno sutil à versão consagrada pelo Led Zeppelin.
A produção é conduzida pela voz de Freeman, que atua como narrador para contextualizar o histórico das composições. O projeto, que destina seus lucros à Ground Zero Arts Foundation, braço filantrópico do clube, não surgiu do nada. A ideia nasceu durante uma turnê que percorreu diversos palcos, mesclando orquestras locais aos músicos residentes do Ground Zero. Com a narração filmada do ator acompanhando a performance ao vivo, o espetáculo ganhou corpo até se transformar no registro fonográfico que chega agora ao público.
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