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Kirk Douglas usou cavalo para encurralar Kubrick em bastidores de Spartacus
Cinema

Kirk Douglas usou cavalo para encurralar Kubrick em bastidores de Spartacus

15/10/2026 · 13:05 3 min de leitura

A produção de Spartacus, lançada em 1960, guardou um momento de tensão digno de um roteiro de ação. Durante as gravações, Kirk Douglas não hesitou em usar seu cavalo para intimidar o diretor Stanley Kubrick, exigindo que uma cena específica permanecesse no corte final do filme, conforme revelado pelo podcast The Plot Thickens, da Turner Classic Movies.

Ben Mankiewicz, apresentador do programa, detalhou o embate: Douglas estava furioso. Ele havia enviado um memorando propondo manter a célebre fala “Eu sou Spartacus”, mas o diretor simplesmente ignorou o aviso e excluiu o trecho escrito por Dalton Trumbo sem consultá-lo.

O confronto no set

A reação do protagonista foi física e direta. Montado em um cavalo marrom de grande porte, Douglas aproximou o animal ao máximo do rosto de Kubrick. O ator não poupou palavras: “Quando envio um memorando sobre a gravação de uma cena, espero, no mínimo, uma resposta. Mandei o bilhete sobre a cena do ‘Eu sou Spartacus’ e você sequer se deu ao trabalho de responder”.

“Escuta aqui, seu merdinha. Pode ser uma ideia estúpida, mas nós vamos tentar. Se não funcionar, a gente corta, mas vamos filmar”, teria dito Douglas a Kubrick.

Kubrick, fiel ao seu temperamento, rebateu dizendo que a ideia era “estúpida” e que, por isso, não pretendia realizá-la. Mesmo assim, Douglas insistiu, empurrando o cavalo contra o cineasta. Diante da pressão, Kubrick cedeu. No dia seguinte, a sequência foi rodada e acabou se tornando o momento mais famoso de toda a obra.

Uma parceria conturbada

A dinâmica entre os dois era complexa. Douglas recrutou Kubrick para o projeto após perder a paciência com o diretor original, Anthony Mann. O motivo? Mann permitia muita improvisação, o que fez o cronograma de filmagens atrasar consideravelmente.

O astro do filme explicou, em relatos lidos por seu filho, Michael Douglas, por que escolheu o então jovem cineasta — Kubrick tinha apenas 31 anos na época. Segundo Kirk, o diretor possuía um talento inegável, mas sua autoconfiança frequentemente beirava a arrogância, algo que poderia ser um trunfo ou um obstáculo ao lidar com nomes fortes do elenco como Laurence Olivier, Charles Laughton e Peter Ustinov.

Apesar de todos os atritos, o resultado foi um marco cinematográfico. Spartacus arrecadou mais de 60 milhões de dólares globalmente — partindo de um orçamento de 12 milhões — e conquistou quatro estatuetas do Oscar. O filme segue como uma referência no gênero de guerra, consolidando o legado dos dois ícones que nos deixaram anos mais tarde: Kubrick faleceu em 1999, aos 70 anos, e Douglas nos deixou em 2020, aos 103 anos.

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