Dublin, Irlanda – As calçadas da Grafton Street, em Dublin, foram palco de uma despedida singular na última semana. Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, escolheu o local onde Glen Hansard deu seus primeiros passos na música para prestar uma homenagem informal ao artista recém-falecido. Munido de um violão e acompanhado por um pequeno grupo de amigos, Vedder entoou clássicos como “Black” e a emblemática “Drive All Night”, de Bruce Springsteen, em um gesto que ecoou a tradição de rua pela qual Hansard era conhecido.
A iniciativa partiu do músico escocês Murdo Mitchell, que nutria uma longa proximidade com Hansard desde que fora descoberto por ele enquanto tocava na rua, aos 14 anos. A ideia surgiu logo após as cerimônias fúnebres. Acompanhado por Dylan, Tom e Felix, o grupo decidiu seguir para o endereço histórico por volta das 3h da manhã. Para Mitchell, aquela era a única maneira possível de lidar com a perda.
O registro da cena — captado em vídeos e fotos pelo fotógrafo Danny Clinch — mostra um momento de vulnerabilidade e entrega. Com poucos recursos e até uma corda de violão quebrada, a performance improvisada buscou traduzir o sentimento de luto em notas musicais. Segundo os presentes, a atmosfera na rua durante a madrugada carregava uma presença marcante, como se o espírito de Hansard ainda habitasse aquele ponto específico da cidade.
Não houve grandes produções ou palcos. Apenas um punhado de amigos tentando converter a dor em melodia, no mesmo solo onde Hansard, durante décadas, construiu sua relação com o público de Dublin. O tributo espontâneo fechou um ciclo de respeito e admiração mútua entre artistas que compartilharam, acima de tudo, a paixão pela música feita na base do improviso e da verdade.
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