Ed Sheeran decidiu se manifestar nesta terça-feira sobre o desligamento de Macklemore de sua turnê, The Loop. A medida ocorreu após o rapper entoar o grito de “Free Palestine” e exibir imagens da guerra em Gaza durante dois shows realizados recentemente em Nova Jersey.
O cantor de Shape of You iniciou seu relato no Instagram declarando sentir-se “horrorizado com o conflito entre Israel e Palestina”. Segundo ele, o convite para que Macklemore, de 43 anos, abrisse seus concertos incluía liberdade para que o artista apresentasse seu próprio repertório. Contudo, a recepção da plateia e a repercussão das falas levaram diversos locais de eventos a imporem um ultimato: ou Macklemore era retirado do line-up, ou as datas futuras seriam canceladas.
Uma negociação sem acordo
“A saída de Macklemore da turnê foi uma decisão dos promotores, não minha. O contrato dele era com eles”, escreveu Sheeran.
O músico britânico revelou ter passado a última semana tentando mediar o impasse. Entre as tentativas de “construir uma ponte”, ele conversou com Robert Kraft, o bilionário proprietário do New England Patriots e do Kraft Group, grupo que administra o Gillette Stadium, em Massachusetts. Sheeran garante que buscou uma resolução mútua, mas a postura das arenas e dos organizadores foi inflexível.
Ao explicar por que não encerrou a turnê por conta própria, o cantor foi pragmático: ele não queria decepcionar os fãs que já haviam se planejado para os shows, nem deixar na mão a equipe de produção e outros músicos que dependem do trabalho para garantir o sustento.
Entre a neutralidade e o ativismo
Sheeran, de 35 anos, reforçou que não é “cúmplice” das atrocidades no Oriente Médio. Ele argumentou que prefere manter-se distante de arenas políticas por considerar que seu público é composto por jovens de origens diversas que não esperam, necessariamente, um fórum de debates ideológicos durante suas apresentações.
- O choque de visões: Enquanto Sheeran busca um caminho de neutralidade, ele diz respeitar “a força de propósito” de Macklemore em defender suas convicções.
- A resposta do Gillette Stadium: Em nota enviada ao Page Six, Robert Kraft justificou o banimento citando um histórico de retórica e imagens que seriam “profundamente ofensivas” à comunidade judaica.
- O lado de Macklemore: Em postagem na segunda-feira, o rapper admitiu uma “discordância dolorosa” com Sheeran, reconhecendo que o britânico foi colocado em uma posição difícil.
Macklemore afirmou que, ao debater o assunto, Sheeran teria classificado suas falas como “dolorosas” para algumas pessoas. Embora o rapper tenha ficado frustrado com o posicionamento do amigo de longa data, ele mantém a esperança de que o vínculo de 13 anos não tenha chegado ao fim. “Minha porta estará sempre aberta para continuar essa conversa”, garantiu Macklemore.
Ao encerrar seu comunicado, Sheeran manteve um tom austero. Sem abrir espaço para comentários, ele pontuou que quem conhece seus valores e seu caráter compreende sua postura. Por ora, resta a sensação de um rompimento causado por visões distintas sobre o que significa manter a neutralidade em um momento de polarização global.
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