Sepultura: Andreas Kisser sugere terapia para Max Cavalera “cuidar da cabeça”
11/20/2025 9:54 PM
Em uma nova entrevista ao canal 100segredopod, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, relembrou o momento em que o conjunto decidiu não continuar com a então administradora Glória ao término do vínculo. Glória mantinha um relacionamento com o vocalista Max Cavalera. Além disso, Andreas respondeu se Max se sentiu afetado de alguma forma ao saber que eles não iriam seguir com a gestora e se Max acreditava ser a peça mais importante por ser o frontman. O apresentador ainda mencionou uma ocasião em que assistiu a uma apresentação do Sepultura em Phoenix, quando Max deixou o local em uma limusine enquanto o restante do grupo saiu em uma van.
“Ah, ele mesmo fala isso, né? Toda conversa — que ele faz tudo, não sei o qué e continua tocando coisas que a gente fez 30 anos atrás, né? Assim, é muito esquisito isso, mano. Mas essa coisa da limousine, para quem mora em Phoenix e sabe, é a coisa mais barata do mundo, sabe? A gente pegava limousine para tomar cerveja num ponto, sacou? Tinha uns motoristas que a gente conhecia, a gente pegava limusine para dar rolê, para fumar um, ia no deserto, ia não sei o quê, pegava umas limusine. Então não era uma coisa tão “oh”, sabe, como aqui no Brasil poderia imaginar, né? Mas o que sempre e a Glória sempre gostaram disso, dessa coisa mais glamour, vamos dizer assim, o rock and roll, né? Essa coisa de hotéis e room service e coisas mais desse desse naipe assim. E assim, ficou uma coisa esquisita porque é muito difícil você julgar, porque o meu ponto de vista é o meu ponto de vista sobre o mesmo episódio, eles vão ter o deles. O Igor vai ter o dele, o Paulo tem o outro. E é uma discussão que não leva a lugar nenhum, né, de falar: “Ah, eu tô certo, tô errado”. Aconteceu, cada um teve a sua escolha. Eh, o Max resolveu sair do conjunto porque o nosso vínculo com a Glória acabou.”
De acordo com Andreas, Glória estava defendendo apenas os interesses de Max Cavalera e começou a separá-los:
“A Glória não estava representando o conjunto mais, né? Só estava representando o Max e os interesses dele. Tanto é que realmente essa coisa da limusine, apesar de ter sido uma coisa tão comum lá em Phoenix, foi uma coisa que cresceu depois. Depois ele teve o ônibus dele, só o camarim dele, é uma coisa que separava, entendeu? A Glória começou a dividir as situações, eram os três e o Max de um lado. O Max aparece em capa de álbum com o filho — qual o sentido disso, né, mano? Como um prêmio, como um troféu, alguma coisa assim. No meio de um Chaos A.D., de um Roots… de coisas que estavam acontecendo com o conjunto — coisas profissionais. E coisas que a gente não participava, porque era uma coisa entre a Glória, entre imprensa, entre gravadora e a gente ficava meio na berlinda.
Então a gente tinha um vínculo que expirou depois de dois anos, e tinha a possibilidade de ser mais um, depois mais um e a gente exerceu o nosso direito de não continuar o compromisso, que coincidentemente era 16 de dezembro de 1996, que foi o último espetáculo que nós fizemos juntos lá no Brixton Academy em Londres. Foi exatamente o dia que terminava o vínculo e a gente apresentou depois do show uma reunião que o Max não participou, estava só eu, o Igor, o Paulo e a Glória. O Max não foi nessa reunião, vai saber porquê, né? E a gente apresentou a nossa ideia: “nós queremos mudar a representação do conjunto, a gente quer organizar essa coisa mais profissional e não tão emocional e parcial como está.” E obviamente aconteceu o que aconteceu. Eles não aceitaram essa mudança e saíram; foram lá já fazer o Soulfly, etc. Usaram o mesmo estúdio, usaram o mesmo produtor Ross Robinson, usaram o mesmo mixer Andy Wallace, que a gente usou no Roots. E a gente teve que procurar tudo novo, né? novo administrador, novo produtor, tudo novo, o que foi excelente pra gente. Você vê que o Max está até hoje patinando no Roots, né? Está sempre falando a mesma coisa, sempre falando e não sei o quê. Parece que está preso num vórtex do tempo, sabe? Tentando, sei lá. É muito esquisito.
E, acho que falta um pouco de terapia também. Tem que cuidar da cabeça um pouco. Eu vou dizer que me incomoda um pouco.”