A Procuradora-Geral Pam Bondi foi afastada de seu posto pelo presidente Donald Trump na quinta-feira, 2 de abril, com Todd Blanche, o vice-procurador-geral, assumindo interinamente até a nomeação de um novo titular.
Em uma publicação na plataforma Truth Social, Trump confirmou a saída de Bondi, expressando admiração por sua lealdade e patriotismo. Ele destacou que Bondi faria a transição para uma “nova função muito necessária e importante no setor privado”, com data a ser anunciada.
A Fox News reportou que Bondi foi informada da decisão antes mesmo do pronunciamento de Trump à nação na quarta-feira, 1º de abril, enquanto já estava a caminho da Flórida. Horas antes, ela e o presidente haviam visitado a Suprema Corte para acompanhar os argumentos orais de um caso sobre cidadania por nascimento.
A remoção de Bondi ocorre após meses de intensas críticas sobre a gestão da administração Trump em relação aos arquivos de Jeffrey Epstein. Esses documentos, que contêm provas cruciais no caso de tráfico de menores envolvendo Epstein, tornaram-se um ponto central e controverso nas discussões da campanha presidencial de 2024.
Fontes próximas indicaram que Trump também estava insatisfeito com a falta de progresso de Bondi em investigações contra adversários políticos do presidente. Pouco antes do anúncio de sua demissão, Trump havia negado rumores de substituição, afirmando à CNN que Bondi era “uma pessoa maravilhosa e estava fazendo um bom trabalho”.
Após assumirem cargos no governo Trump, Bondi e o diretor do FBI, Kash Patel, prometeram divulgar mais documentos relacionados ao caso Epstein. Contudo, a liberação ocorreu de forma gradual e frequentemente com censuras significativas.
No Congresso, representantes como Jamie Raskin expressaram frustração com o acesso restrito aos materiais. Raskin, em depoimento ao Comitê Judiciário da Câmara, criticou o Departamento de Justiça por reter parte dos documentos, apontando que 3 milhões de arquivos ainda não haviam sido divulgados, apesar de ordens do Congresso.
A falta de transparência gerou críticas internas, incluindo da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, aliada de Bondi, que questionou a abordagem da procuradora na manipulação das evidências de Epstein.
Além disso, Bondi enfrentou controvérsias em outras frentes, como a gestão dos tiroteios em Minneapolis e a contratação de uma pessoa para perdoar participantes dos tumultos no Capitólio em 6 de janeiro. Sua postura combativa e os insultos dirigidos a membros do Congresso durante depoimentos também marcaram seu período no cargo.
Em fevereiro, ela foi alvo de uma investigação no Comitê de Supervisão da Câmara, que visava obrigá-la a depor sobre o tratamento dos arquivos de Epstein. A votação, que teve apoio bipartidário, aumentou a pressão por mais clareza e ação sobre o caso, culminando na decisão de Trump de remover Pam Bondi de seu cargo de Procuradora-Geral.